TEXTO E FOTOGRAFIA POR A RECOLETORA
REVISÃO CIENTÍFICA POR FRANCISCO ARENAS E MARINA DOLBETH
02.05.2026

↑ FAVA-DO-MAR (FUCUS spp.)
Vista geral em contexto. 2024. Praia Norte, Viana do Castelo.

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Detalhe da fronde brilhante.
NOMES EM INGLÊS
Bladderwrack, lady wrack, sea ware, sea wrack, rockweed, spiral wrack, black tang, bladder fucus, spiral wrack
NOME COMUM
Fava-do-mar
NOME CIENTÍFICO
Fucus spp.
OUTROS NOMES VULGARES
Bodelha, tremoço-do-mar, estalos, limo-bexiga, botelho, trombolho, esgalhota
NOME USADO PELOS SARGACEIROS DE CASTELO DO NEIVA / AMOROSA
Botelha / botelhão, colhões-de-galo

↑ FAVA-DO-MAR (FUCUS spp.)
Detalhe dos receptáculos, as estuturas reprodutivas desta espécie. 2024. Praia Norte, Viana do Castelo.
GRUPO
Phaeophyceae [Macroalgas Castanhas]
ORDEM
Fucales
FAMÍLIA
Fucaceae
DISTRIBUIÇÃO
Nas águas frias do Atlântico Norte, Pacífico Norte, Mar do Norte e Mar Báltico Ocidental; ausente no Hemisfério Sul
COLHEITA
Todo o ano, [mas contém maior nível de vitamina A no verão e vitamina C no outono]
PARTES COMESTÍVEIS
Fronde (folha)
Receptáculo (relevos das pontas)
ESPÉCIES DE FUCUS
Na região norte de Portugal encontramos 4 espécies de Fucus: Fucus vesiculosus, Fucus spiralis, Fucus ceranoides e Fucus serratus. Todas elas apresentam uma cor castanha-esverdeada, textura cartilaginosa e uma nervura central bem definida nas suas frondes (folhas):
• Fucus vesiculosus é a única que apresenta vesículas aeríferas (ou seja, bexigas redondas de ar que ajudam a manter a alga a flutuar à superfície para obter mais luz) ao longo das suas frondes, dispostas paralelamente em ambos os lados na nervura.
• Fucus ceranoides possui uma estratégia semelhante para se manter à tona da água, quando a maré enche; contudo, toda a sua fronde é insuflada, tornando-se ainda mais evidente a nervura média.
• Fucus spiralis é muito semelhante à F. vesiculosus, mas não apresenta vesículas. O que a caracteriza são as torções em espiral que ocorrem nas suas frondes.
• Fucus serratus, identifica-se facilmente pelas folhas espalmadas e recortadas nas bordas, similares aos dentes de uma serra. A Praia Norte, em Viana do Castelo, é o local que abriga a última população de F. Serratus do país. Deve evitar-se colher esta espécie, já que em Portugal as suas populações estão ameaçadas, existindo apenas nas costas rochosas a norte do rio Lima.
CURIOSIDADES E USOS ALIMENTARES
Quando percorremos as rochas da Praia Norte em direção ao mar, esta alga é a primeira que en- contramos, mesmo ao lado da alga nodosa (Ascophyllum nodosum). A Fucus é também conhecida por limo-bexiga e estalos — pelas vesículas redondas insufladas de ar, que ajudam-na a flutuar e a obter mais luz — e ainda por fava-do-mar e tremoço-do-mar, nomes que já dão pistas sobre como usá-la na cozinha!
No Japão esta alga castanha-esverdeada é principalmente consumida seca e moída em pó, agregando sabor e nutrição a caldos, molhos e guisados. Alguns chefs de cozinha recomendam polvilhar este pó de botelha sobre pratos de massa, para um sabor similar ao queijo parmesão. Os relevos sumarentos e salgados das extremidades são um óptimo petisco cru (explodem na língua com um estalido!) ou em picles. Ficam deliciosos incorporados em feijoadas, como se de leguminosas se tratassem. Quando aquecida, a Fucus liberta uma goma mucilaginosa que dá espessura aos cozinhados e suaviza a pele, se submersa na banheira ao estilo dos tradicionais banhos quentes de Vila Praia de Âncora.
VALOR NUTRICIONAL E USOS MEDICINAIS
Contém uma grande variedade de minerais, vitaminas e oligoelementos, especialmente vitaminas A e C, magnésio e retinol. O Fucus é muito rico em iodo, sendo útil no tratamento de distúrbios da tiróide. É ainda rico em fibra o que provoca a sensação de saciedade, sendo frequentemente utilizada em dietas de emagrecimento. Tem propriedades antivirais, anti-inflamatórias e laxativas. É uma alga muito aplicada em cosméticos e talassoterapia, pelas suas mucilagens e ação anticelulítica.