TEXTO POR MARIA MANUELA RESTIVO
FOTOGRAFIAS A P&B IN ACTIVIDADES AGRO-MARÍTIMAS EM PORTUGAL
+ SEVERINO COSTA, CEDIDAS PELO ARQUIVO MUNICIPAL DE VIANA DO CASTELO.
DESENHO POR FERNANDO GALHANO
VIDEO POR A RECOLETORA
16.06.2026
Depois de apanhado, o sargaço era espalhado no areal para secar ao sol. A distribuição fazia-se à mão, procurando formar uma camada fina e uniforme. Em períodos de maior abundância, extensas áreas da praia ficavam cobertas por grandes mantas acastanhadas de algas, separadas por carreiros que assinalavam o que pertencia a cada pessoa ou família. Segundo o livro Atividades agro-marítimas em Portugal, quando a nortada soprava com força, estes tapetes eram protegidos do avanço da areia através de “pequenos combros misturados com chorão ou junco das dunas”, conhecidos como valinhos. Em condições favoráveis, a secagem demorava geralmente dois ou três dias.


ESTENDENDO ARGAÇO À MÃO
↑ Fotografia de Alvão. Data. Carreço, Viana do Castelo.
← Fotografias de Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Benjamim Pereira. In Actividades Agro-Marítimas em Portugal.

↑ BARRACOS DE SARGACEIROS
1957. Castelo do Neiva, Viana do Castelo.
Fotografias de Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Benjamim Pereira. In Actividades Agro-Marítimas em Portugal.
Quando se considerava que o sargaço estava suficientemente seco, procedia-se à sua reunião e preparação para armazenamento. A manta era progressivamente enrolada em pequenos volumes, designados de forma diferente consoante a localidade — postas em Montedor e Fão, padelos na Aguçadoura e em Aver-o-Mar, ou manelos em Castelo de Neiva. Estes volumes facilitavam o carregamento nos carros e a construção das pilhas ou palheiros onde o sargaço ficaria conservado até à sua utilização ou venda.



← PALHEIROS DE SARGAÇO DE PLANTA QUADRANGULAR
1948. Afife, Viana do Castelo.
1975. Amorosa, Viana do Castelo.
↑ PALHEIROS DE SARGAÇO DE PLANTA CIRCULAR
1962. Averomar, Póvoa-do-Varzim.
Três fotografias de Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Benjamim Pereira. In Actividades Agro-Marítimas em Portugal.
Um palheiro funcionava simultaneamente como medida de quantidade e como unidade de pagamento. Mais do que designar apenas a estrutura, a expressão correspondia a uma determinada porção de sargaço que servia de referência quer para o trabalho realizado, quer para a venda, convertendo uma forma local de armazenamento numa unidade prática de medida.
As pilhas de sargaço variavam de localidade para localidade, apresentando formas, nomes e soluções construtivas próprias. Ainda assim, podem agrupar-se em dois tipos principais:
— pilhas de planta quadrangular
— pilhas de planta circular



← ↑ PILHAS DE SARGAÇO
1966. Lugar de Amorosa, Chafé, Viana do Castelo.
Quatro fotografias por Severino Costa, cedidas pelo Arquivo Municipal de Viana do Castelo.

As pilhas de planta quadrangular eram mais frequentes a norte, entre o Cabedelo de Caminha e Castelo de Neiva. Já as de de planta circular, predominavam mais a sul, entre a Aguçadoura e o Mindelo.
No Cabedelo de Caminha, as pilhas eram quase quadradas; em Afife, Carreço, Amorosa e Castelo de Neiva, recebiam geralmente o nome de palheiros e apresentavam uma forma retangular. Eram muitas vezes assentes sobre um estrado rudimentar de pedras, que ajudava a proteger o sargaço da humidade do solo e a favorecer a sua conservação. As pilhas eram cobertas com uma camada de palha, sobre a qual se colocavam pedras amarradas entre si, de modo a fixar a cobertura e a proteger o sargaço da chuva e da ação do vento.

↑ DESENHO DA ARQUITETURA DE UM PLAHEIRO
Por Fernando Galhano. Digitalização da página 54, do livro "Actividades Agro-Marítimas em Portugal", 1990.