TEXTO
Maria Manuela Restivo
IMAGENS A P&B
Ernesto Veiga de Oliveira,
Fernando Galhano
e Benjamim Pereira;
Severino Costa
IMAGENS A COR
A Recoletora
06.2026
Depois de apanhado, o sargaço era espalhado no areal ou junto aos campos para secar ao sol. Ao fim de alguns dias, quando se entendia que estava suficientemente seco, era empilhado em estruturas cuidadosamente construídas pelos sargaceiros.
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As pilhas de sargaço variavam de localidade para localidade, apresentando formas, nomes e soluções construtivas próprias. Ainda assim, podem agrupar-se em dois tipos principais: as pilhas de planta quadrangular, mais frequentes a norte, entre o Cabedelo de Caminha e Castelo de Neiva; e as pilhas de planta circular, predominantes mais a sul, entre a Aguçadoura e o Mindelo.



Palheiros de sargaço de planta quadrangular
← 1948. Afife, Viana do Castelo.
← 1975. Amorosa, Viana do Castelo.
Palheiros de sargaço de planta circular
↑ 1962. Averomar, Póvoa-do-Varzim.
Três fotografias de Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Benjamim Pereira. In Actividades Agro-Marítimas em Portugal.
No Cabedelo de Caminha, as pilhas eram quase quadradas e cobertas com palha presa por pedras. Em Afife, Carreço, Amorosa e Castelo de Neiva, recebiam geralmente o nome de palheiros e apresentavam uma forma retangular. Eram muitas vezes assentes sobre um estrado rudimentar de pedras, que ajudava a proteger o sargaço da humidade do solo e a favorecer a sua conservação.



Pilhas de Sargaço
← ↑ 1966. Lugar de Amorosa, Chafé, Viana do Castelo.
Quatro fotografias por Severino Costa, cedidas pelo Arquivo Municipal de Viana do Castelo.

[12.] Centro de Mar. (2016). Um mar de tradições. Câmara Municipal de Viana do Castelo.
Estes palheiros eram protegidos por uma cobertura abaulada de palha de centeio, chamada colmeira, colmos ou colmadura, conforme as localidades. A cobertura era fixada com varas, cordas, arames, pedras ou lousas, enquanto os lados eram amparados por paus, conhecidos como fincões. O remate da cobertura exigia especial cuidado, sobretudo no lado virado a sul, de modo a proteger melhor o sargaço da chuva e dos ventos dominantes.
Estes palheiros seriam, nas primeiras décadas do século XX, bastante abundantes, já que Abel Viana referia, em 1932, que, vistos à distância, alguns trechos da costa de Viana davam o “aspeto de tribos africanas” [falta referência].
Os palheiros eram por vezes separados entre os destinados ao consumo próprio, que se iam desfazendo conforme a necessidade, e aqueles que seriam vendidos para obter rendimento. Maria Cristina Fontes recorda que a mãe lhe dizia para “tirar um palheiro para ela” [12], funcionando o palheiro como um espécie de pagamento pelo trabalho efetuado. [mais histórias dos palheiros..?]

↑ A arquitetura do palheiro.
Castelo do Neiva, Viana do Catelo. Desenho por Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Benjamim Pereira. In Actividades Agro-Marítimas em Portugal
1) fincões;
2) colmaduras;
3) lateiras;
4) Vencilhos;
5) lousas;
6) beiral de junco









