TEXTO: Maria Manuela Restivo
IMAGENS: A Recoletora
Para quem está envolvido em qualquer tipo de atividade marítima ou agro-marítima, o mar não é unicamente um lugar de lazer ou contemplação: é sobretudo um modo de ganhar a vida. É preciso, por isso, saber acompanhar as marés, mapear rochas e reentrâncias, reconhecer agueiros por onde a água retorna, identificar os momentos em que se deve entrar e em que é imprescindível sair, sob pena de lá se ficar retido para sempre. “O mar levou-o”, ouvimos com frequência enquanto conversamos, e guardamos por momentos um silêncio condoído que ninguém tem vontade de quebrar. Quem vive na costa conhece sempre alguém que ficou no mar.
O mar é descrito como traiçoeiro, velhaco, desleal, canalha, um lugar “que nos traz alegrias, mas também é razão de muitas mágoas”. Os relatos dos sargaceiros estão sempre repletos de episódios inesperados e perigosos em que o mar é protagonista. Julieta Pereira recorda aquele dia em que iam a caminho da Ínsua para apanhar sargaço. Eram cerca de 12 pessoas numa barca que virou, quase à chegada da ilha. “Nunca mais vou ver a minha mãe”, foi o pensamento que na altura lhe acorreu. Felizmente sabia nadar, e lá se ajudaram mutuamente para chegar a terra. Não houve mortes nesta história. O mesmo não se pode dizer do relato de ???, que perdeu o irmão no barco batizado de Arrogante. O célebre caso do insubmersível Titanic (que afundou totalmente em duas horas e quarenta minutos) já nos devia ter ensinado a nunca subestimar o poder do mar.
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