TEXTO: Maria Manuela Restivo
IMAGENS: A Recoletora
“Se queres aprender a rezar, entra no mar”.
Para quem está envolvido em qualquer tipo de atividade marítima ou agro-marítima, o mar não é unicamente um lugar de lazer ou contemplação: é sobretudo um modo de ganhar a vida. Viver do mar e com o mar implica adquirir um conjunto de saberes práticos que só a experiência é capaz de consolidar: acompanhar as marés, mapear rochas e reentrâncias, reconhecer agueiros por onde a água retorna, identificar os momentos em que se deve entrar e em que é imprescindível sair, sob pena de lá se ficar retido para sempre.
O mar é descrito como ladrão, traiçoeiro, poderoso, falso, um lugar “que nos traz alegrias, mas também é razão de muitas mágoas”. Esta perceção ambivalente atravessa quase todos os relatos dos antigos sargaceiros. A admiração pelo mar e o orgulho de nele trabalhar convivem com a revolta perante a sua imprevisibilidade e os muitos danos que causou.
O antigo Sargaceiro Manuel Vicente revelou-nos a sua paixão pelo mar, mas também a consciência de que é preciso saber que “não mandamos no mar. Ele não poupa pequenos, nem pequeninos, nem grandes, nem velhos. Ele leva tudo. E quando não os quer, devolve-os à praia.”
“O mar levou-o”, ouvimos com frequência enquanto conversamos com os sargaceiros e as sargaceiras. Os relatos causam-nos espanto e assombro, e no entanto, não conseguimos deixar de perguntar pelas histórias do mar [não sei se nos coloco no texto ou retiro. eu gosto deste engajamento]. Quem vive na costa conhece sempre alguém que ficou no mar, o que faz com que os acidentes ligados ao mar sejam, para as pessoas que por eles passaram, relatados com uma certa normalidade.
A sargaceira Natália [sobrenome] conta-nos que estava um dia a tirar sargaço quando veio uma onda grande que a levou. Foi salva pelas restantes sargaceiras que estavam na praia, que engataram as redes umas nas outras para conseguirem resgatá-la [também não percebi bem esta artimanha]. Apesar de uma vida passada no mar, Natália nunca aprendeu a nadar, situação comum entre vários sargaceiros e até pescadores.
Julieta Pereira recorda aquele dia em que iam a caminho da Ínsua para apanhar sargaço. Eram cerca de 12 pessoas numa barca que virou, quase à chegada da ilha. “Nunca mais vou ver a minha mãe”, foi o pensamento que na altura lhe acorreu. Felizmente sabia nadar, e lá se ajudaram mutuamente para chegar a terra. Não houve mortes nesta história. O mesmo não se pode dizer do relato de Maria de Castro Gonçalves, que perdeu o irmão no barco apropriadamente batizado de Arrogante (Um mar de.. pg11). [passar para a segunda fase?]
Um dos relatos mais perturbadores foi-nos contado pela sargaceira Natália [sobrenome], a propósito do marido de sua prima, que foi levado pelo mar. Durante vários dias, as sargaceiras recearam voltar à praia, não tanto pelo mar revolto que o levou, mas pelo risco de encontrar o corpo devolvido. E também aqui o mar é velhaco: só alguns dos corpos são regressam, os outros nunca são encontrados. Pior que morrer no mar, é morrer nele sem nunca ser devolvido à terra, deixando a família suspensa num luto por concretizar.
— página do site dedicada aos medos relacionados com o mar: os acidentes, as tragédias, as soluções para salvar pessoas, mitos, etc.
— que imagens vamos pôr aqui?
— pedimos a algum ilstrador (ao Abel, por exemplo?) para faezr uns esquiços rápidos a ilustrar a história da Natália com as redes engatadas umas nas oytras, e a do Baeta, que lhe deram um chicote?
— a hist´ria contada pela dona céu sobre as duas miudas que forma levadas e que voltaram já mortas.
