TEXTO POR MARIA MANUELA RESTIVO
ENTREVISTA A MANUEL BAETA
FOTOGRAFIA E VÍDEO POR A RECOLETORA
28.08.2026
JANGADA PERTENCENTE AO
GECN - GRUPO ETNOGRÁFICO DE CASTELO DO NEIVA ↗︎

↑ JANGADA
Vista geral em contexto.
2026. Praia de Castelo do Neiva, Viana do Castelo.
«O barco nunca foi nem será para carregar sargaço como uma jangada. A jangada é um lastro. O barco não carrega muita coisa.»»

Em Castelo de Neiva, as jangadas eram constituídas por um estrado rudimentar de troncos de borriço, uma espécie de salgueiro encontrado na região. Depois de cortados e limpos dos ramos, os troncos eram dispostos lado a lado, sendo necessário ajustar as irregularidades naturais das suas formas.
Os troncos que as compunham eram numerados, permitindo desmontar e voltar a montar a jangada sempre na mesma ordem. Esta possibilidade revela uma solução técnica simples, mas adaptada às necessidades de conservação, transporte e uso sazonal da embarcação.
Antes de ser utilizada, a jangada era deixada no mar durante cerca de dez minutos, para que a madeira se adaptasse à água e ganhasse melhores condições de flutuação.
Segundo o jangadeiro Manuel Baeta, a jangada era construída de forma tosca dada a falta de ferramentas apropriadas para a função. Para a sua construção, recorria-se ao machado, à enxó e pouco mais. A deslocação fazia-se com o auxílio de uma vara, que permitia impulsionar e orientar a jangada através da força exercida pelo corpo.
Apesar da sua construção rudimentar, a rusticidade da jangada não deve ocultar a sua eficácia: permitia trabalhar em zonas onde outras embarcações se revelavam menos funcionais, aproximando o corpo dos rochedos e facilitando as manobras de recolha e transporte do sargaço.
As pessoas que recorriam à jangada para a apanha do sargaço eram designadas jangadeiros, distinguindo-se assim daqueles que realizavam a recolha a pé, denominados de sargaceiros.
«O pau de borriço tem que estar molhado para flutuar.»
«Aí pelos campos ainda há borriços pela beira dos poços. Onde vir aquelas guias amarelas, é um borriço!»

↑ BORRIÇO (SALIX VININALIS)
Vista geral em contexto.
2026. Castelo do Neiva, Viana do Castelo.

↑ BORRIÇO (SALIX VININALIS)
Detlahe de um ramo.
2026. Castelo do Neiva, Viana do Castelo.



«Ainda há lavradores aqui da minha terra que atam a vinha (com o borriço).»

↑ BORRIÇO (SALIX VININALIS)
EXEMPLAR DE PORTE ARBUSTIVO; apresenta características de arbusto, geralmente baixo e ramificado desde a base.
2026. Castelo do Neiva, Viana do Castelo.

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EXEMPLAR DE PORTE ARBÓREO; apresenta características de árvore, com um tronco mais definido e copa elevada.
2026. Castelo do Neiva, Viana do Castelo.

↑ SISTEMA DE NUMERAÇÃO DOS TRONCOS, para facilitar a montagem e desmontagem.
2026. Armazém dos pescadores, Castelo do Neiva
«Nós tirávamos pau por pau e guardávamos numa barraca, para o próximo ano. Por isso, tem aqui estes números cravados, para, quando a montarmos outra vez, sabermos que este é o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto... Tem que ter nove.»



↑ DESENHO DA JANGADA
Por Fernando Galhano. Digitalização da página 99, do livro "Actividades Agro-Marítimas em Portugal", 1990.

↑ VARA DE REMAR
2026. Castelo do Neiva.

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Comprimento do cabo: 7 m
«A vara de remar era de pinheiro. As outras varas, fininhas, para andar com a engaceira, eram de eucalipto. Porquê? Porque o eucalipto dobrava e não partia. E o pinho parte.»



«Chegámos a ter aqui na praia 45 jangadas. Todas tinham dono. Às vezes, havia alguns homens que não tinham borriço e punham olme.»