TEXTO * POR MARIA MANUELA RESTIVO + A RECOLETORA
FOTOGRAFIA POR A RECOLETORA
12.06.2026
COM A PARTICIPAÇÃO DO
GECN - GRUPO ETNOGRÁFICO DE CASTELO DO NEIVA
A apanha do sargaço nasceu ligada ao trabalho da terra. Os primeiros utensílios utilizados pelos lavradores eram adaptações de alfaias agrícolas, como o incinho, semelhante ao ancinho rural, ou o croque, próximo do forcado. À medida que a apanha se tornou uma atividade autónoma e passou a ser feita pelas gentes da beira-mar, incluindo os pescadores, os instrumentos acompanharam esta transformação: às ferramentas de tipo agrícola juntaram-se outras, de tipo piscatório, inspiradas nos camaroeiros utilizados na pesca, como é o caso da rede.
Entre a terra e o mar, estas ferramentas foram sendo adaptadas às condições específicas da apanha. Cabos, dentes, lâminas e redes funcionam como uma extensão do corpo sobre a água, permitindo chegar, arrancar, cortar e trazer à superfície algas que estavam para além do alcance. Cada instrumento é, assim, simultaneamente uma ferramenta e um prolongamento do gesto — até onde a mão não chega.
Nesta página, damos particular destaque aos utensílios utilizados em Castelo do Neiva. As fotografias mostram ferramentas reais, usadas no passado pelos sargaceiros da região, que atualmente se encontram depositadas no Grupo Etnográfico de Castelo do Neiva.



* O texto desta página é baseado sobretudo nos livros Actividades Agro-Marítimas em Portugal, de Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Benjamim Pereira e Tradições Marítimas de Anha, de José da Cruz Lopes e Rui F. Viana, complementada com informação recolhida através de testemunhos orais realizados em 2026, no litoral entre Castelo do Neiva e Caminha.

↑ REDE
2026. Castelo do Neiva.

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Comprimento do cabo: xx cm / Diâmetro do meio arco: ≈ 1 m? / Malha da rede: 4–5cm?
A REDE
Entre a Apúlia e Caminha, a rede era um dos utensílios mais utilizados e eficazes na recolha das algas que se encontravam soltas na água junto à praia. Compunha-se de um saco de malha larga, feito de fio grosso de sisal, preso a um meio-arco de madeira de loureiro, cuja abertura se tensionava por um cordão. Era munido de um cabo comprido, com cerca de 2 m, que partia do ponto médio do meio-arco e permitia ao sargaceiro manejá-lo dentro de água. Neste litoral, este instrumento apresentava ligeiras variações e era conhecido por diferentes nomes: rodafole na Apúlia e em Esposende, redenho ou redanho daí para norte, e em Castelo do Neiva por rede, designação particular que aqui adotamos.
rodafole, redenho, redanho, rede
O seu uso estava associado à apanha a pé, em zonas onde o mar deixava o sargaço a boiar junto à costa ou acumulado em águas pouco profundas. O sargaceiro entrava na água até onde ainda tinha pé e empurrava o utensílio à sua frente, segurando-o pelo cabo, de modo a fazer entrar as algas no saco. Quando este se encontrava suficientemente cheio, era transportado para fora de água, apoiando-se o cabo ao ombro e arrastando-se o saco pelas costas. Dado o peso das algas molhadas, era comum que esta tarefa fosse realizada por duas pessoas: uma segurava e orientava a rede, enquanto a outra ajudava a suportar o peso da carga, facilitando o transporte até à praia.
Já na areia, as algas eram despejadas pousando a boca do saco no chão e sacudindo-o pelo fundo. Este gesto, aparentemente simples, revela a adaptação do próprio instrumento ao corpo e ao esforço exigido pela atividade: a rede servia simultaneamente para recolher, concentrar e transportar o sargaço, condensando num único objeto várias operações fundamentais da faina.
Ao contrário da maioria dos outros instrumentos, a rede era particularmente refinada, sendo muitas vezes feita por cesteiros e carpinteiros profissionais. Esta especialização na sua construção não significava, contudo, que existisse um modelo único ou fixo: as dimensões e a forma da rede eram adaptadas às características do corpo de quem a utilizava e do lugar onde era manejada.
As redes eram, assim, objetos individuais, feitos à medida de quem as encomendava, tendo em conta a altura, o peso e a força do utilizador. Há, por exemplo, histórias que nos foram contadas sobre redes feitas especificamente para crianças que acompanhavam as mães na faina, de dimensões muito reduzidas. Também em Afife e Carreço, onde a apanha era predominantemente realizada por mulheres, as redes apresentavam arcos e sacos mais pequenos do que os de Castelo do Neiva. Na Apúlia, pelo contrário, o saco podia atingir cerca de 1,60 m de fundura (os maiores do litoral norte) e era manejado exclusivamente por homens. Muitos destes instrumentos passavam de geração em geração, sendo herdados por membros da família e deixando de corresponder necessariamente ao corpo para o qual tinham sido originalmente feitos.
O local também condicionava a forma e as dimensões da rede. A inclinação do areal podia exigir um saco mais pequeno, para tornar suportável o esforço de o arrastar cheio de algas, enquanto canais estreitos entre pedras podiam exigir arcos menos abertos, capazes de passar entre eles, ou cabos mais compridos.
A rede mostra a inteligência prática destas tecnologias costeiras: leve o suficiente para ser manejada dentro de água, resistente para suportar o peso das algas e adaptável à morfologia dos corpos e dos lugares onde era utilizada.

↑ INCINHO
2026. Castelo do Neiva.

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Comprimento do cabo: x m / Largura do pente: x m / Número de dentes: x
INCINHO
O incinho parece ter estado na origem das tecnologias de apanha do sargaço, sendo considerado o instrumento mais antigo utilizado nesta atividade. Em Castelo do Neiva, era um dos utensílios mais frequentes na recolha do sargaço a pé. Tratava-se de um ancinho de madeira simples, munido de dez dentes longos, também de madeira, usado na praia e dentro de água, quando as algas boiavam em massas densas e se acumulavam junto à rebentação ou repousavam sobre fundos de areia. O sargaceiro cravava o incinho no sargaço, puxava-o para terra e sacudia depois o utensílio para o libertar. O mesmo instrumento servia ainda para juntar as algas soltas no areal e, nas fases posteriores, para carregar o sargaço para os carros de bois e deles o descarregar, “alargar” o sargaço estendido e empadelar o sargaço já seco, mostrando a sua versatilidade ao longo das diferentes etapas da faina.
Noutros locais do país, encontravam-se instrumentos de função semelhante, com ligeiras variações na forma e no acabamento. Podiam ter mais dentes, dentes de ferro, uma segunda fila de dentes mais curtos — os gaiteiros — que ajudavam a prender e a reter as algas durante a recolha, ou até cabos mais compridos.
Embora incinho seja a designação ainda hoje mais recorrente em Castelo do Neiva, o nome do utensílio variava de localidade para localidade, revelando a diversidade lexical das culturas do sargaço. Em Âncora era conhecido por ancinhão, em Montedor por ancinha e em Viana do Castelo e Anha, por garamanha. Na Apúlia, Fão e Esposende chamava-se gaiteira; em Angeiras e Pampelido, engaço; em Vila Chã, encinho; e em Peniche, gravanço. De uma forma geral, graveta era uma das designações mais difundidas no país.
incinho, ancinhão, ancinha, garamanha, gaiteira, engaço, encinho, gravanço, graveta
Estas variações não indicam apenas diferenças vocabulares: mostram também a forma como cada comunidade nomeava, adaptava e incorporava os seus instrumentos de trabalho na experiência quotidiana do litoral.

↑ CROQUE
2026. Castelo do Neiva.

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Comprimento do cabo: x m? / Largura do pente: x m / Número de dentes: 6
CROQUE
O croque era um instrumento importante na colheita do sargaço a partir de barcos ou jangadas, usado sobretudo em Castelo de Neiva e na Amorosa. Era composto por quatro, cinco ou seis dentes de ferro, curvados de forma côncava, dispostos a partir de um mesmo ponto e presos a um cabo comprido, que podia atingir cerca de 10 metros. A sua forma e o seu peso tornavam-no particularmente adequado à recolha de sargaço solto e submerso, em zonas afastadas da praia e inacessíveis à apanha feita a pé.
Os croques mais pequenos, com quatro dentes e cerca de 4,5 kg, serviam sobretudo para trabalhar em fundos menos profundos, entre penedos; os maiores, com seis dentes e mais de 8 kg, eram usados mais ao largo e em fundos mais vastos. A variação no número de dentes, no peso e na dimensão do cabo revela a adaptação do utensílio às características do fundo marítimo e à distância a que se encontravam as algas.
O croque era manejado de pé, por pessoas de grande força física, com as duas mãos, exigindo força, equilíbrio e conhecimento do mar. O sargaceiro lançava-o para o largo e arrastava-o pelo fundo, procurando apanhar as algas. Depois puxava-o verticalmente até à embarcação, voltava os dentes para cima para o trazer a bordo e, por fim, invertia-o, sacudindo-o para despejar o sargaço. Cada uma destas operações dependia de uma coordenação precisa entre o corpo, o peso do instrumento, o movimento da embarcação e a resistência das algas presas aos rochedos.
Embora não seja possível comprovar a difusão do croque em Portugal, os autores Veiga de Oliveira, Benjamim Pereira e Fernando Galhano levantam a hipótese de ter origem francesa, reforçada pelo facto de um instrumento semelhante ser usado na ilha de Batz, na Bretanha. Esta possível aproximação não deve, porém, ser entendida como prova de uma transmissão direta, mas antes como indício de soluções técnicas semelhantes encontradas em contextos marítimos comparáveis, onde a recolha de algas exigia instrumentos capazes de alcançar fundos rochosos e zonas afastadas da costa.
Um outro utensílio com dentes, chamado ganchorra, ganchola ou gancha, era utilizado em várias localidades do litoral norte, entre Angeiras e Fão, para desempenhar uma função semelhante à do croque. Apesar de possuir igualmente um cabo comprido e ser usado a bordo de embarcações, o seu sistema de dentes era semelhante ao do incinho (dentes dispostos paralelamente entre si).

↑ FOUCINHÃO
2026. Castelo do Neiva.

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Comprimento do cabo: x m / Comprimento da foice: x m
FOUCINHÃO
O foucinhão era o instrumento utilizado nas jangadas ou barcos, para cortar as algas castanhas de grande porte presas às rochas, sobretudo os taborros (Saccorhiza polyschides), durante o período em que esta prática era permitida, entre julho e outubro. O seu uso encontrava-se associado às zonas de penedia, do rio Lima para sul, onde a configuração do litoral e a presença de rochedos submersos tornavam necessária uma tecnologia capaz de alcançar e cortar as algas fixas ao fundo.
Segundo nos dizem as ex-sargaceiras de Castelo do Neiva, este instrumento era conhecido por foucinhão ou foicinhão. Contudo, os autores do livro Atividades Agro-marítimas em Portugal referem que aí era designado por fouce; noutras localidades mais a sul, identificaram ainda outras designações para o mesmo instrumento: segador, em Vila Chã, e foucilhão, em Mindelo.

foucinhão, foicinhão, foucilhão, fouce, segador
Tratava-se de uma espécie de foice, com uma lâmina curva e serrilhada, presa a uma vara de pinheiro com cerca de três metros. A combinação entre a lâmina cortante e o cabo longo permitia trabalhar a partir das embarcações, sem que fosse necessário entrar diretamente na água ou alcançar as rochas a pé. O sargaceiro manejava-o de pé, fazendo a lâmina mergulhar até ao fundo para cortar as algas presas às rochas submersas. Depois, rodava ligeiramente o instrumento, de modo a envolver as algas cortadas, e puxava-as para dentro da embarcação. Servia, assim, uma dupla função: cortar as algas e trazê-las para a superfície.
Entre Anha e Castelo do Neiva, o foucinhão possuía uma ponta afiada, em forma de pico, que, segundo o jangadeiro Manuel Baeta, servia como “gancho para agarrar os taborros do fundo pela cabeça” — a base de fixação — e trazê-los inteiros para bordo da jangada. Estando na beirada, este jangadeiro cortava então os taborros de imediato, preservando apenas as suas longas fitas e descartando as cabeças no mar, que, por serem espessas, eram difíceis de secar.
O uso do foucinhão exigia força, equilíbrio e um conhecimento apurado dos fundos marítimos. Ao contrário dos instrumentos destinados a recolher o sargaço já solto, como é o caso do croque, este utensílio intervinha diretamente sobre as algas ainda fixas, implicando uma relação mais ativa com os rochedos e com os ciclos de crescimento das espécies marinhas. A sua utilização, limitada a um período específico do ano, revela também a existência de regras e constrangimentos associados à exploração destes recursos, procurando regular o corte e evitar uma pressão contínua sobre as algas.

↑ ENGACEIRA
2026. Castelo do Neiva.

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Comprimento do cabo: x m / Largura do pente: xx m / Número de dentes: 40
ENGACEIRA
A engaceira era outro dos instrumentos usados a bordo de barcos ou jangadas, tendo sido especialmente criada para a apanha de algas vermelhas de interesse industrial, nomeadamente agarófitas (Gelidium corneum, Pterocladiella capillacea e Gracilaria gracilis) e carragenófitas (Chondrus crispus e Mastocarpus stellatus), cujo valor comercial era superior ao do sargaço. Tanto quanto sabemos, no nosso país, este utensílio foi utilizado apenas pelos sargaceiros de Castelo do Neiva e Anha.
Estruturalmente, era semelhante ao incinho, mas possuía dentes, pente (a travessa onde se fixam os dentes) e encabadouro de ferro, e o seu cabo, feito de eucalipto, era muito mais comprido, podendo atingir os 6 metros. Utilizava-se a partir de embarcações, sendo lançada à água e arrastada pelo fundo para arrancar e recolher as algas presas aos rochedos da zona da rebentação, que ficavam submersos durante a maré alta. Possuía, por isso, dentes afunilados, terminando em bico e com corte de ambos os lados, muito próximos uns dos outros, uma configuração adequada à apanha de algas de pequeno porte.
A nossa pesquisa, cruzando documentação em livros, peças musealizadas e instrumentos depositados nos grupos folclóricos da região (cedidos por ex-sargaceiros), permitiu identificar duas configurações principais desta ferramenta.
— Na versão de Castelo do Neiva, ilustrada nas duas fotografias acima, o pente é estreito e compõe-se de cerca de quarenta dentes curtos.
— Já a engaceira de Anha, utilizada na praia da Amorosa [ver fig. X], apresenta apenas dez dentes, sendo o seu pente mais largo, com cerca de 20 cm de largura. Há ainda uma adaptação desta última: uma engaceira em tudo semelhante à de Anha, mas composta por doze dentes e feita de madeira [ver fig. Y]. Esta versão surgiu posteriormente, em resposta à alteração da legislação marítima, que proibiu o uso de dentes de ferro por serem considerados demasiado nocivos para a base de fixação das algas marinhas. A substituição dos dentes de ferro por dentes de madeira revela, neste sentido, uma tentativa de adaptar a tecnologia da apanha às preocupações com a preservação das algas, mostrando como os instrumentos também incorporavam as regras e os limites impostos à exploração destes recursos.
No seu conjunto, estas características respondiam a necessidades específicas da apanha destas espécies: o peso permitia afundar a ferramenta, o comprimento do cabo alcançar as algas submersas, a resistência do material suportar o arrasto sobre as rochas e o desenho dos dentes prender as algas miúdas e trazê-las à superfície.

↑ VARA
2026. Castelo do Neiva.

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Comprimento do cabo: x m / Comprimento da ponta: x m


↑ CARRELA
2026. Castelo do Neiva.

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Comprimento: x m / Largura: x m / Número de travessas: x
CARRELA
A carrela, como é conhecida em Castelo do Neiva, era uma estrutura abaulada de madeira usada para transportar o sargaço. Media cerca de 1,50 m de comprimento por 60 cm de largura e era feita em pinho. Era composta por duas traves longitudinais, unidas por um conjunto de paus transversais, que formavam uma espécie de escada, permitindo que a água fosse escorrendo. O seu transporte exigia duas pessoas, normalmente homens, um em cada extremidade, agarrando duas pegas. Era, por isso, um instrumento associado simultaneamente a uma organização coletiva do trabalho e à necessidade de deslocar rapidamente grandes quantidades de algas.
O nome carrela era também utilizado noutras regiões do país, como Mindelo, Aguçadoura e Esposende, enquanto em Moledo e Peniche este instrumento era conhecido por padiola. Uma versão semelhante, mas com duas rodas, existiu em Fão e era designada por carrelo.
carrela, padiola, carrelo
Em algumas zonas, cada sargaceiro possuía várias carrelas. Em situações de urgência — quando a maré começava a subir ou o mar se alterava — era preferível colocar logo as algas sobre as carrelas, em vez de as amontoar diretamente na areia. Desse modo, tornava-se possível transportá-las rapidamente para um lugar seguro, evitando que o mar as levasse de novo. A carrela não servia, portanto, apenas para transportar: funcionava também como suporte provisório, permitindo organizar a apanha de acordo com a instabilidade das marés e com a necessidade de proteger o trabalho já realizado.
Para além da carrela, havia quem usasse cestos, nomeadamente as mulheres, que apanhavam pequenas quantidades de algas ou que trabalhavam sozinhas. Eram feitos em cestaria de madeira rachada, com duas asas e, normalmente, fundo quadrado e boca redonda. O cesto era igualmente utilizado na descarga dos barcos, funcionando como uma solução mais leve, portátil e ajustada a operações de menor escala. O uso do cesto aparece, assim, associado ao trabalho feminino e ao gesto do transporte à cabeça, enquanto os homens usavam apenas a carrela.
Carrelas e cestos revelam que a tecnologia do sargaço não se limitava aos instrumentos de cortar, arrancar ou recolher algas. O transporte constituía uma etapa fundamental da faina, exigindo soluções próprias para lidar com o peso do sargaço molhado, com a distância entre a água e os locais de secagem, com a subida da maré e com a organização do trabalho. Estes objetos prolongavam a apanha para além do momento da recolha, ligando o mar à praia, aos carros de bois ou, mais tarde, aos tratores e, finalmente, aos locais de secagem e palheiros, que podiam ser mais próximos ou distantes da praia.








CARRELA

REDE

INCINHO

CROQUE

FOICINHÃO

ENGACEIRA

VARA
FERRAMENTAS DA APANHA A PÉ
FERRAMENTAS DA APANHA EM EMBARCAÇÃO
Para além dos instrumentos especificamente criados para a apanha do sargaço, eram também utilizadas algumas ferramentas agrícolas comuns, como foicinhas e enxadas, adaptadas ao corte ou arranque das algas presas aos rochedos.
Em Montedor, a foicinha rural de cabo curto era usada, a par do foucinhão, para cortar algas presas a rochedos submersos, descobertos ou acessíveis a partir de terra. Quando as algas eram passíveis de ser agarradas a partir das masseiras, eram “ceifadas” de modo semelhante aos cereais, numa transposição quase direta de um gesto agrícola para o meio marítimo.
A enxada era igualmente utilizada em Montedor para arrancar algas presas às rochas. Servia sobretudo para retirar a parte do taborro que permanecia agarrada depois de as fitas terem sido cortadas à foicinha. No entanto, este uso acabou por ser proibido, provavelmente por implicar uma intervenção mais agressiva sobre as algas e sobre os seus pontos de fixação.
— pôr aqui link para a gancha de Vila Praia de âncora
— tirar as medidas aos instrumentos de castelo do neiva e confirmar se são todos instrumentos reais, ou se algum é uma replica ou mais pequeno que o normal...
— pôr na zona da engaceira imagens a preto e branco da engaceira de ANa (de ferro + a de madeira)
— pôr na zona da carrela imagens do carrelo e das mulheres com cestas à cabeça.
— pôr no ultimo parágrafo imagens das foices e etc
— links para a biblografia na ota inicial
— links para a sonoteca. ---> colocar aqui algum som?