TEXTO
Maria Manuela Restivo
e A Recoletora
IMAGENS
A Recoletora
06.2026
Sargaço ou argaço é o nome comummente dado a um conjunto de algas marinhas recolhidas na praia ou retiradas dos rochedos que se encontram junto à costa. Embora o termo sargaço seja hoje o mais corrente em grande parte do país, argaço tende a surgir com maior frequência nos documentos antigos, sendo também o mais utilizado, quer no passado quer ainda nos dias de hoje, pelas populações do distrito de Viana do Castelo. Já a palavra limos, para designar o mesmo tipo de plantas, é mais comum no sul do país. Segundo João Paulo Cabral, a palavra “argaço” deriva provavelmente de alga, via algaço. A palavra sargaço é mais recente, e deriva de argaço sob a influência de outra palavra, provavelmente sal ou salgado”.
A atividade de recolher ou apanhar argaço é comum a vários países europeus com costa marítima. Em Portugal, encontra-se documentada desde a Idade Média, período em que parece ter adquirido maior importância, embora seja possível que se trate de uma prática bastante mais antiga. A primeira referência conhecida ao assunto em documentos oficiais surge no foral de D. Dinis, de 9 de maio de 1308, onde se declara que o rei atribuía o sargaço da zona do Póvoa de Varzim aos seus moradores. Apesar de esta atividade ter sido recorrente em diferentes pontos da costa portuguesa, foi a norte do rio Douro que ela assumiu maior intensidade e frequência, constituindo, durante vários séculos, uma atividade relevante para a subsistência das populações locais.
Os mares e as praias desta região condensavam, de facto, um conjunto de características particularmente propícias à produção e recolha do argaço: uma costa rochosa, águas com temperaturas baixas, um mar frequentemente agitado, capaz de arrancar as algas e de as trazer para terra, e areais suficientemente extensos para permitir a sua secagem. A apanha do argaço dependia, assim, de uma ecologia costeira específica, feita de rochedos, marés, ventos, correntes, praias e campos agrícolas.
Ao contrário de outras atividades marítimas, a apanha do sargaço tinha uma forte dimensão sazonal, concentrando-se sobretudo entre os meses de maio e setembro, com especial incidência em julho e agosto. Um bom dia para recolher argaço ou para a “função do argaço”, como era localmente denominado, estava diretamente relacionado com o estado das marés e com a quantidade de algas que o mar lançava à praia ou deixava acessível junto aos rochedos. Tratava-se, por isso, de uma atividade marcada por uma certa imprevisibilidade, já que havia dias particularmente apropriados à apanha do sargaço que era importante aproveitar.
O argaço recolhido destinava-se sobretudo à adubação das terras agrícolas, pois desde cedo as populações reconheceram nas algas um fertilizante natural particularmente eficaz. É curioso pensar na origem desse conhecimento, desenvolvido antes de qualquer investigação científica sobre o assunto. De facto, só estudos recentes nas áreas da química e da botânica, vieram identificar a importância de certos componentes presentes nas algas. O modo como as populações locais chegaram a esta informação — como sucede com tantos outros saberes vernaculares — permanece, em larga medida, intrigante.
Também há registos da sua utilização, ainda que numa escala mais reduzida, na alimentação animal, destacando-se a botelha para alimento de suínos. De acordo com a informação recolhida, esta função parece ter diminuído ao longo do século XX.
No seu estudo extensivo sobre as pescas em Portugal em finais do século XIX, Baldaque da Silva identificou, para o ano de 1886, a existência de 4479 pessoas dedicadas à apanha do sargaço na costa portuguesa, num total de 46 150 carradas, número que o próprio admite ser apenas aproximado, dado que na realidade o número devia ser bastante superior.
Por se tratar de uma prática exercida durante vários séculos e em diferentes regiões, não é fácil, nem sequer aconselhável, fazer uma caracterização conclusiva daquilo que podemos designar por culturas do sargaço. As suas formas variaram ao longo do tempo e do espaço, acompanhando diferentes regimes de propriedade, necessidades agrícolas, constrangimentos legais, formas de organização familiar, divisões de género e tecnologias de apanha.
— complementar com informação escrita por nós.
— dizer que o sargaço é uma mistura de várias espécies de algas.
— as algas que se encontram em cada praia dependem maioritariamente das algas que se encontram nas rochas à frente ou arredores
— pôr mapa feito pela Marina e pelo Paco
— dizer que a alga que jsutifica a apanha do saragço, ou seja, que tornou a apanha rentável é a Saccoriza, porque é grande e dá à cotsa todos os anos, porque tem um ciclo curto e desprende-se, e cria uma biomassa grande.
— testemunho do daniel sobre isto.
— colocar aqui info sobre o valor nutriconal das algas. a sua composição. Falar com o ciimar e com a eng. agrónoma do IPVC
— imagens feitas em catselo do neiva com sargaço. gerais, vídeos, detalhes
— imagem da sacorriza
