TEXTO
Maria Manuela Restivo
ENSAIO EM VÍDEO
A Recoletora
DATA DE ENTRADA
07.2026
Na década de 1930, o antropólogo francês Marcel Mauss desenvolveu o conceito de técnicas do corpo, procurando demonstrar que o corpo não é apenas uma realidade biológica, mas também um lugar de aprendizagem de saberes, gestos e práticas. Todas as sociedades, argumentava Mauss, desenvolvem formas específicas de sentar, andar, comer, nadar, descansar, trabalhar ou transportar pesos. Não é por acaso que se diz que o corpo tem memória: mesmo que passemos muitos anos sem nadar ou conduzir, há gestos que regressam quase instantaneamente quando voltamos a precisar deles. Para Mauss, o corpo é o primeiro instrumento técnico, e muitas das ferramentas que criamos, das mais elementares às mais complexas, funcionam como extensões desse corpo em ação.
A cultura do sargaço pode ser entendida precisamente como um conjunto de técnicas do corpo: formas socialmente aprendidas e incorporadas de entrar no mar, equilibrar-se nas rochas, manejar instrumentos, cortar, arrastar, transportar ou secar as algas. Estes gestos não são apenas movimentos físicos, mas saberes práticos transmitidos pela experiência, pela observação e pela repetição. Aprende-se a apanhar sargaço vendo e fazendo, pois só corpo em ação permite uma aprendizagem incorporada.
Os gestos do sargaço marcam o corpo de formas que os registos historiográficos raramente deixam antever. O frio, o vento e o sal deixavam frieiras, dores nos ossos, pele gretada e cansaços acumulados. As ferramentas criavam calos, tendinites e marcas de esforço; o transporte do sargaço ao ombro, às costas ou em cestos levados à cabeça era causador de posturas incorretas, algumas das quais permanentes. Essas marcas não se circunscrevem ao tempo em que o sargaço era apanhado: permanecem ainda hoje nos corpos de quem se dedicou a esta atividade. Talvez seja aí que a cultura do sargaço mais resista: não tanto nos objetos musealizados, nas fotografias arquivadas ou nas descrições etnográficas, mas nos corpos dos sargaceiros. É nestes que ainda resistem dores, maleitas e certas memórias que a passagem do tempo não conseguiu apagar.


O CORPO LEMBRA
— um laboratório sensorial para estudar os fenómenos físicos resultantes da interação entre matérias (como as algas, a areia e a água), propriedades (como a resistência, a textura ou a temperatura) e forças (como o vento, as ondas ou as marés) nos corpos dos sargaceiros.
ENSAIO II
MATÉRIA: algas > "cabeça" do taborro (Saccorhiza polyschides)
PROPRIEDADE: estrutura • rigidez
AGENTE / FORÇA: caminhar • pisar
Ensaio II.1
Ensaio II.2
Ensaio II.3
Ensaio II.4
Ensaio II.5
Ensaio II.6
Ensaio II.7
Ensaio II.8
Ensaio II.9
Ensaio II.10
ENSAIO I
MATÉRIA: sal
PROPRIEDADE: aderência / impregnação
FORÇA: água do mar
Exercício 1
Exercício 2
Exercício 3
Ensaio I.10
ENSAIO III
MATÉRIA:
PROPRIEDADE:
FORÇA:
ENSAIO IV
MATÉRIA:
PROPRIEDADE:
FORÇA:
excertos dos sons em que as sargaceiras falam disto??